A cadeira de rodas é uma parte de você?

segunda-feira, 29 de junho de 2015


Eu ouvi as pessoas dizerem que a cadeira de rodas é uma parte delas. Minha cadeira de rodas não é uma parte de mim, eu sou como uma pessoa com deficiência. Minha cadeira de rodas é uma ferramenta para me levar onde eu quero ir. 

Ela não me dá força, ou qualquer uma dessas outras tretas. Francamente isso me irrita e eu preferiria não estar com ela. Eu sou o único que se sente assim? Eu aceito que eu tenho uma deficiência . Eu me recuso a aceitar que eu não sou nada mais do que um deficiente, e que é o que essa afirmação diz para mim. Talvez seja diferente para quem nunca conheceu  a vida sem a cadeira de rodas. Talvez então eu não posso entender o sentimento como se fosse uma parte de você. Para mim, é o mesmo que o meu carro ou qualquer outra ferramenta usada para fazer minha vida mais fácil.

Meus familiares são parte de mim. Meus amigos são uma parte de mim. Eu considero as coisas que eu não posso viver sem, uma parte de mim. Eu poderia facilmente viver sem a cadeira. Eu não posso dar a volta sem a cadeira, mas o quão ruim seria 20 horas por dia se esticado no sofá confortável com a Sky? 
Um amigo me disse que por eu não aceitar minha cadeira de rodas, como uma parte de mim significa que eu não ter aceitado a minha deficiência. Isso é 100% inverdade. 

Eu aceito que eu preciso da cadeira, mas isso não significa que eu preciso amá-la. Talvez eu não recebi o memorando ou perdi essa página em algum lugar no manual. Estava lá? 

Minha cadeira de rodas me dá liberdade para ser independente, mas ela também me lembra simultaneamente das minhas limitações. Eu não posso abraçar uma peça de equipamento que diz que você nunca vai ter esta parte de sua vida novamente. Eu não consigo andar, mas você não precisa jogar isso na minha cara. Eu vejo isso como acne na adolescência para ser honesto. É uma parte de sua vida que você não pode escapar, mas ninguém nunca escreveu um poema de amor para sua espinha.

Eu sou a única pessoa que se sente isso sobre a minha cadeira de rodas?


4 comentários

  1. Quando me tornei cadeirante eu não gostava muito da cadeira, achava que por causa dela todas as atenções de voltavam para mim e que ela transmitia uma aparência de incapacidade. Com o passar dos anos eu percebi que a cadeira me proporcionou fazer tarefas que eu não faria sem ela, parei de andar aos 11 anos, hoje eu tenho 23 anos, trabalho, vou a festas, me formei em ciências contábeis e fiz essas coisas em cima da cadeira de rodas e não as teria feito senão fosse ela, pois a cadeira de rodas me ajuda a vencer o limites. Como toda pessoa com deficiência sofro com falta de acessibilidade mas isso não é culpa da cadeira, é culpa de uma sociedade que se devolveu por anos sem pensar em infraestrutura na mobilidade urbana.
    Conclusão do meu raciocínio, eu amo minha cadeira de rodas, pois vejo o quanto ela é útil para a minha locomoção (que se tornaria impossível sem ela), o que não amo é a doença que eu tenho que fez com que eu parasse de andar, o que eu não amo é ficar limitada.
    A cadeira de rodas é praticamente nossas pernas, portanto, ela quase faz parte do nosso corpo. rsrs

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Gleice, eu também adoro minha cadeira de rodas, sei o quanto ela é útil em nossas vidas. Mas o post se refere a outro significado, temos muitas outras coisas mais importante que a cadeira. Pensa comigo, ela é nosso meio de transporte, certo? Como é o metro, ônibus ou carro para quem vai trabalhar ou estudar longe de casa. E as pessoas não saem dizendo por ae que o ônibus faz parte delas, é sim uma ferramenta que nos auxilia e muito em nosso dia-dia. Ou quem sabe podemos comparar a cadeira com um óculos de grau.

      Excluir
    2. Entendi o seu raciocínio, na verdade são pontos de vista diferentes. Vc enxerga a cadeira como um meio de transporte, na verdade eu acho esse significado meio complicado, pois se o andante ficar 1 dia sem um carro, pode usar o ônibus ou simplesmente dependendo da distância ir andando. Comparado ao óculos fica melhor...seria outro objeto insubstituível. Mas compreendo, realmente a cadeira é uma ferramenta e não devemos "humaniza-lá" no sentido de enxergar o objeto da mesma maneira que com pessoas... Na verdade a cadeira faz parte da nossa vida e não do nosso corpo, até pq para isso ela deveria ser implantada em nosso corpo e isso seria muito louco! Rs Porém ela nos fornece quase a mesma função das pernas, e talvez por isso algumas pessoas (incluindo eu) acabam tendo essa sensação da cadeira fazer parte de si.

      Excluir
  2. Olá
    Pedimos licença e mui respeitosamente apresentamos nossa empresa.
    Esperamos poder ajudar e compartilhar nossa experiência.

    Atentos ao mercado e levando em consideração o custo de substituição de um equipamento usado por um novo, a Corr Hospitalar vem ao mercado oferecer um serviço de manutenção em cadeiras de rodas e móveis hospitalares em alto nível, aliados ao conhecimento técnico de uma equipe preparada a atender seus clientes de uma forma profissional.

    Tendo atuado durante 7 anos no comércio de materiais hospitalares e por mais de 17 anos no setor industrial de cadeiras de rodas (produção e gerenciamento de fábrica), seu sócio fundador trouxe para a Corr Hospitalar a experiência adquirida em vários setores, dentre eles a fabricação de peças para cadeiras de rodas, peças plásticas, montagem de componentes e manutenção.

    A Corr Hospitalar tem como missão assegurar aos seus clientes uma manutenção de alta qualidade, com eficiência, rapidez e preços justos, garantindo a satisfação total.

    Site: www.corrmetalurgica.com.br/


    Rua João Ramalho, 144
    Jd. Piratininga - Osasco-SP
    Tel. 55 (11) 3656-6763
    Email: corr@corrmetalurgica.com.br

    ResponderExcluir

 

Idioma

Contato

cadeirantes.life@gmail.com

FACEBOOK

INSTAGRAM @cadeirantes_life

Cia de Dança Loucurarte

Receba por e-mail

Digite seu e-mail:

DESTAQUE

Dicas para PCD encontrar emprego

Se você é uma pessoa com deficiência, deve saber que encontrar um emprego satisfatório e bem remunerado é duas vezes mais difícil do que ...

Entrevistas